Renata Duarte

Música, História, Sociologia, Semiótica e Design...

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Introdução :  Sobre Moda e Arte

 

É interessante encarar a moda como um segmento da arte, afinal os feixes de inteligibilidade estão aí : moda e arte  sempre estiveram em uma proximidade incrível,e atualmente estão se tangenciando cada vez mais, afinal para moda tudo se torna referência e a ela mesma podemos dar o nome de artisticidade, afinal ela é feita com arte, com criatividade e por que não dizer com exclusividade?

 Vários estilistas e/ou grifes estão muitas vezes produzindo peças únicas ou limitadas para que alguns colecionadores tenham em casa uma “peça- obra de arte”, nem que for apenas para ser apreciado. A moda tem vindo na direção contrária da arte e elas vêm se cruzado constantemente.

A moda : de coisa a signo, enquanto a arte segue de signo a coisa. A Príncipio usava-se roupa apenas para cobrir o corpo e não passar frio, de uns tempos para cá, a roupa têm sido como uma obra de arte, que passa da função de cobrir o corpo, fazendo o papel de adorno, fantasia, fetiche... e assim cada um escolhe o personagem que quer representar neste imenso palco que é a sociedade e pode ainda vestir sua  própria fantasia (Roupa – comportamento – identidade- hábito)  e mais uma vez a moda caí em uma discussão muito mais sociológica do que fútil.

 Artistas Plásticos, assim como estilistas vêm também se enveredando para o campo da moda, no caso de Hilal Sami Hila, o artista plástico contemporâneo abordado abaixo, baseia suas obras em roupas, tecidos, costuras, já que teve uma vivência voltada para o campo da “moda” desde pequeno, sua obra se aproxima demais por exemplo do trabalho de Jun Nakao e suas roupas de papel. Sua discussão vai além e ele não nega seu envolvimento com a moda.

Enfim, pode-se falar muito mais a respeito do assunto, já que é crescente o interesse por esse sistema da moda, que vem crescendo através dos tempos e quer  dominar além de passarelas, de lojas, de modismos e de senso comum, o mundo intelectual, que anseia por questões mais profundas ligadas a história, psicologia, filosofia, arte , sociologia e principalmente à semiótica que de certa maneira abrange muitos campos. 

 

 

 

HILAL SAMI HILAL

 

Sobre o Artista:

 

“Alguém tinha de realizar esse corte entre mãe e filho. No meu caso, foi a arte. . A arte não dá conta da ausência, mas ampara...” 

                                                                                     Hilal Sami Hilal

 

 

 

 

Hilal Sami Hilal Descendente de família síria, nasceu em Vitória – ES, no ano de 1952. O artista , fundou a cadeira de Estudo do Papel na Universidade Federal do Espírito Santo.  Segundo o curador Paulo Herkenhoff, a obra do artista capixaba caracteriza-se pela leveza das formas, referências da história da arte, memória psíquica, ação da libido, aspectos teóricos da psicanálise diante do pensamento de Lacan e valores espirituais cristão e islâmico. A obra de Hilal, construída ao longo de 30 anos, “é uma celebração do fazer”, diz o curador. E caracteriza-se pela leveza das formas em todos os aspectos. O Artista contemporâneo, busca inovar com sua maneira criativa e incrível de manifestar sua subjetividade.

 

Não precisei sair da minha poética. Lido com o papel derivado de trapos de algodão. O papel vem da roupa. Meu trabalho tem a memória do corpo. Esta herança é muito forte na minha produção e tem a ver com a questão da moda.”

 

 

Iniciou-se, nos anos 1970, no desenho e aquarela para depois decidir se aprofundar em técnicas japonesas de confecção do papel. A partir daí, com uma viagem ao Japão, sua pesquisa intensificou-se, resultando numa segunda viagem a esse país no final dos anos 1980. Cruzando influências culturais entre o Oriente e o Ocidente, entre a tradição moderna ocidental e a antiga arte islâmica, surgiram suas “rendas”.

 

         Confeccionadas com um material exclusivo, criado com celulose retirada de trapos de algodão e misturada com pigmentos, resina e pó de ferro e de alumínio, as rendas privilegiam a força gestual do artista. Que assim constrói a tela a partir de linhas que se cruzam, de cores que se revelam na mistura dos materiais e da sensação de ausência gerada pelos espaços em branco. A partir dos anos 1990 o trabalho de Hilal se notabilizou por essas tramas. Ele desenha usando massa líquida de papel sobre material plástico. Ao secar, as soltam e, dependuradas, ganham visual duplicado por sombras na parede. Os motivos são retirados da memória. “Eles vêm da caligrafia árabe. Sempre crio da direita para a esquerda, não como a escrita ocidental. O processo é intuitivo, só sai assim.”

 

Construiu sua própria matéria prima, seu material de trabalho, e desde sempre confeccionou o papel para a sua obra e trabalha com a memória afetiva. O artista conta que transformava em papel as roupas que ganhava de presente! Recentemente Hilal foi o único representante do Brasil na mostra Radical laces, no Museu de Arte e Design, em Nova York, com outros 26 artistas.

 

O Artista recupera a ligação com o pai que morreu quando ele tinha 7 anos, a partir da arte como um todo, inclusive esta obra em especial homenageia o pai. Afinal, essa ausência, imprimiu em sua existência muito cedo a noção de um vazio, resultando na busca de um novo caminho que  foi aos poucos sendo substituída pela arte.

 

“Pela arte, enquanto amparo”, diz Hilal, para quem a arte viabilizou a construção do sujeito. Nesta exposição, cujo título é “Seu Sami”, ele presta homenagem ao pai, fala das suas memórias e estabelece um paralelo entre luz e sombra, o vazio e a matéria. Talvez ,contradição, seja uma das palavras chaves para descrever essa exposição de Hilal Sami Hilal, que consegue dar leveza e suavidade a materiais como o cobre por exemplo...

 

As metáforas que envolvem o trabalho do artista plástico dialogam com o vazio, com tramas que dão forma a tecidos e ao papel, e com a idéia de fragilidade, memória e ancestralidade. As instalações são de forte impacto visual e poético e conseguem traduzir muito bem essa ausência, esse amor, suas dores, seus medos, e talvez suas saudades pelo pai.

 

Ele coloca algo muito importante quando fala do papel e de um de seus significados:

 

 

“O papel é das poucas coisas presentes do nascimento à morte, quando somos registrados e no atestado de óbito.”  “Na pesquisa com papel, optei pela memória afetiva, por usar trapos de algodão”

 

 

           

Ele mostra como o papel é importante na vida das pessoas, e por vezes ninguém pensa por esse lado, com essa subjetividade, mas sim, o papel realmente registra os fatos de nossa vida, desde o nascimento, acontecimentos jurídicos e sentimentais, processos, anotações, ele sempre registra nossa história e conta um pouco a respeito de quem somos. 

 

O Papel é capaz de eternizar dizeres, sua obra é como se fosse uma carta deixada para trás, contando toda sua jornada sentimental e abstrata,  sua obra é um texto escrito que deseja permanecer nos corações das pessoas e dar margem à interpretações diversas. 

 

Sami, através de suas tramas de papel, algodão e cobre consegue contar um pouco de sua história com muita sensibilidade, mostrando as complicadas, solitárias, às vezes, amorosas e delicadas tramas da vida, que ás vezes são suaves e meigas e outras vezes conseguem ser tão fortes e dolorosas.  

 

A presença do metal é muito forte em sua obra, o cobre deu um efeito maravilhoso, e apesar de ser um material pesado, conseguiu ser transformado em algo leve e delicado. O trabalho dele, conseguiu transformar materiais, suavizar texturas, extravasar potencialidades e modificar conceitos pré-concebidos.

 

As tramas de papéis, algodão, cobre são para Sami um objeto de prazer, sem dúvida alguma, a arte foi como uma salvação para ele, como que algo que rompeu sua ligação com sua mãe, a arte incorporou o papel de seu pai, que faleceu e o deixou em uma completa solidão, ausência e saudades.

 

A grande instalação da mostra é a obra título, “Seu Sami”. Um registro simbólico da ausência do pai vivida por Hilal. “Nesta obra, nomeio o meu vazio”, diz o artista. “Seu Sami é o pai que não tive e que a arte realizou em mim”, completa. A instalação é um espaço infinito criado por Hilal, uma seqüência de luz e sombras que ocupa toda a extensão (de 60 metros) da grande sala de exposições. Os pólos são a Sala do Amor (rendilhados florais, românticos, vivos!) e Sala da Dor (ornamentos de linhas tortuosas que lembram arame farpado). Entre os dois momentos, uma zona de absoluta escuridão. No confronto dos extremos, espelhos, que reproduzem imagens de beleza e sofrimento, criando uma profundidade infinita. E ambígua. “Falo da presença e da ausência infinitamente. Como o espelho. A ausência promove a presença da minha criação”, revela Hilal.

 

As Instalações são magníficas e tem títulos sugestivos e inteligentes. A Sala Sherazade não podia ser mais bem representada . O artista criou tramas no chão, usando “Livros” ligados  entre si, sem sugestão de início ou fim. Uma amiga dele havia sugerido o nome, referência à personagem das mil e uma noites.

 

Na história clássica, depois de ser traído pela mulher, o rei decide se deitar a cada noite com uma mulher diferente, matando-a antes que amanheça. Sherazade usa a inteligência para interromper a matança. A cada noite, conta parte de uma história, sempre interrompida antes do desfecho. Para saber o fim, o rei a mantém viva. “Ao fazer essa obra, pensei na sobrevivência”, conclui Hilal. E Certamente, não podia ser mais perfeito. Sherazade tem a esperança de não ser morta pelo rei e através de sua sabedoria e inteligência sobrevive e ainda desperta sentimentos no Rei...

A biblioteca é simplesmente maravilhosa, os livros expostos são feitos de tramas metálicas de cobre, algodão e papel e de fato, o que mais queremos é pegar um livro nesta biblioteca e sentirmos sua textura, Lê-lo de fato.

         

E assim como um livro nos conta histórias fictícias, ou um diário nos conta histórias reais e sentimentais, a obra de Sami nos conta claramente sobre sua vida, através de suas tramas, seus emaranhados , seus “tecidos”. Sua obra é como um texto que flui, disserta sobre a vida como ela é, cheia de ausências, dores, vazios, obstáculos sentimentais e ao mesmo tempo consegue ser tão delicada, amorosa, amistosa, saudosa...

 

O Artista parece querer mostrar além de todo seu vazio existencial, a complexidade de cada ser humano. Nossas almas são como teias de aranha,  tramas de tecido e assim como um texto pode nos contar muito a respeito de nós mesmos...

 

“...Texto quer dizer TECIDO; mas enquanto até aqui esse tecido foi sempre tomado por um produto, por um véu todo acabado, por trás do qual se mantém, mais ou menos oculto, o sentido (a verdade), nós acentuamos agora,, no tecido, a idéia gerativa de que texto se faz, se trabalha através de um entrelaçamento perpétuo, perdido neste tecido – nesta textura – o sujeito se desfaz nele, qual uma aranha que se dissolvesse ela mesma nas secreções construtivas de sua teia. Se gostássemos de neologismos, poderíamos definir a teoria do texto como uma hifologia (hyphos é o tecido e a teia da aranha)...”

Sobre o Trabalho :

 

Tema : Tecido: Um objeto de desejo como os outros...

Sub – tema: A Historicidade da Obra de Arte  e a Idade dos Metais

 

O Trabalho de Hilal Sami Hilal despertou grandes idéias. As interpretações foram diversas e as reflexões incansáveis. Talvez a contradição de seu trabalho tenha sido o que mais me chamou atenção. Os Livros tecidos de cobre, que permitiram uma releitura da tecelagem, algo fluído que detinha de caimento  e ficou mais rígido, sólido e é claro, um encantamento com o brilho do metal, dando um status a sabedoria.

 

O Uso de metal, que é algo tão pesado, para fazer objetos tão suaves e leves, de fato, me impressionou bastante. Pensando nas tramas delicadas feitas de cobre na linda biblioteca de Sami,  me ocorreu o seguinte : Por que não basear a coleção na Idade dos Metais?  Algo tão distante cronologicamente, mas tão presente historicamente nos nossos livros e no passado da humanidade de maneira geral?

 

Pensei em aproveitar da historicidade da obra de arte, que sempre permanecerá e marcará época, e transformar em algo com outro caráter, mais uma vez seguindo os passos de Sami no que diz respeito a transformação de materiais e conceitos e  aproveitando  do significado marcante do papel, na obra de sami, como algo que está presente e permanecerá na história para sempre...

 

Parece distante, mas a idade dos metais ocorre no final da chamada pré-história ( 5.000 a.C. - 3.000 a. C  ) , no qual, O tear se desenvolve e a seda e o algodão começam a ganhar espaço, as peles são colocadas em segundo lugar nas cidades, sendo no campo igualmente aproveitadas.

 

                        A chamada idade dos metais é por excelência a idade do “vestuário”, afinal, foi  neste momento da história que surgiram os teares e por conseqüência as tramas e tecidos além do mais é o momento em que as  pessoas começaram a utilizar metais como bronze e cobre, não só em armamentos e utensílios, mas também em jóias e outros adornos. Além disso, nesta época, tivemos praticamente o surgimento da metalúrgica, com a fabricação de instrumentos por meio de fundição. Foi neste período do tempo que surgiram objetos como: o espelho, além de alguns utensílios domésticos, trabalhados ainda de modo bem rudimentar e aperfeiçoados na antiguidade.

 

                      Por que não utilizar da leveza das tramas  metálicas de Sami, e criar tramas metálicas  mais fluidas para vestidos, por exemplo? Por que não usar a historicidade implícita em sua obra para contar outras histórias?

 

                     Sendo assim, minha proposta consiste em mergulhar na Idade dos metais e tentar trazer as tramas metálicas de Sami e sua capacidade de contar histórias para o vestuário contemporâneo.

 

Reflexão

 

 

“ Subjetivação do tema “

 

 

 

 

            A Tecelagem realiza um papel fundamental quando falamos do vestir.. O Processo que a roupa passa até que fique “perfeita”´é árduo e lento. Ao Tecer esse processo desde o fio, tecido e por fim a roupa com seus acabamentos , percebe-se  um contar de história que a roupa realiza, o mesmo contar de histórias de um livro de fato , ou de um livro da obra de Sami.

 

 

            Quando fala-se em Idade dos metais, remete-se ao fim da pré-história, início da tecelagem, início da utilização de metais no cotidiano do ser humano , primeiramente no que diz respeito a utilidade e mais pra frente no que diz respeito a vaidade. E ainda aos caminhos para o início da história escrita, afinal após o período neolítico, na suméria, Egito e proximidades começa-se a desenvolver os primórdios da escrita, daí sairmos do que seria a pré-historia e entrarmos na história propriamente dita.

 

 

            Então, após as pinturas rupestres, a domesticação de animais, o domínio do fogo, a tecelagem, os metais e por fim a escrita, passam a ter um papel muito importante para contar a história da humanidade e falar de tempo, evolução e civilização.

 

 

            O conceito da coleção é perfeito para colocar em discussão os valores e mudanças de concepção de arte e moda. A moda, antes indumentária, como mencionado acima:  cumpria apenas o dever de cobrir o corpo do  ser humano, o protegendo das variações climáticas e do contato direto com a natureza, passa de coisa à signo. Ao entrar na “era moderna”, a indumentária se torna moda, e passa a não só cobrir o corpo, mas  falar do comportamento,  da psicologia e da identidade de cada um.

 

 

             É muito interessante buscarmos no passado o início da tecelagem e percebermos o hoje: A tecelagem continua fundamental quando fala-se em vestir, mas sua concepção e o modo como este vestir passa a ser visto modificou- se drasticamente, como tudo através do tempo. Pretende-se ir fundo na historicidade do vestir, do contar uma hisstória através da própria história e acima de tudo manter os feixes de inteligibilidades de arte e moda vivos.

 

 

            Ao contrário da moda a arte seguiu um caminho diferente, e acabou por sair da representação (signo) e passar a ser a própria coisa. Sami com suas instalações, permite a percepção clara disso. A partir das vanguardas européias modernistas, a arte sofreu rupturas e acabou mudando também sua concepção e seu modo de representação .Não se percebe um conceito único para arte, uma concepção direta e centrada em um ponto, a arte começou a ganhar mais liberdade e fluidez e hoje pode-se dizer que muitas coisas  que no passado não seriam consideradas “obra de arte” , hoje ganham esse título. E mais uma vez entramos aqui na tal historicidade, a obra de arte, assim como um livro, uma roupa ou memórias, conta também uma história e fica marcada e eternizada nas mentes e corações das pessoas.

 

 

            A coleção pretende utilizar do suporte – Roupa-  para contar a história da própria tecelagem, dando ênfase ao período da idade dos metais, que é quando os teares começam a ser desenvolvidos principalmente no Egito e na Suméria. Utilizando da obra de Sami e suas tramas de cobre, trabalhar a transformação de materiais e de concepção da roupa.

 

 

            Os painéis iconográficos e a cartela de cor, pretendem funcionar como uma espécie de tradução intersemiótica do tema , traduzindo assim signos como : Cronologia, temporalidade, historicidade, tramas, tecelagem, idade dos metais, Egito antigo, obra de arte, transformação, concepção e evolução...

 

 

            Enfim, a Coleção pretende se fundir à criatividade do trabalho de Sami,  aos mistérios da Idade dos Metais, aos entrelaçamentos de moda e arte na contemporaneidade e acima de tudo à importância da história e do tempo para contar nossa história.

 

 

Pesquisa Histórica

“ Objetivação do Tema”

 

 

            Desde os primórdios, a história do Homem está interligado aos materiais. Essa ligação é uma soma de todos os materiais que inventamos, descobrimos e manipulamos; incluindo desde histórias de opulência e mistérios envolvendo materiais preciosos (ouro e prata) e outros metais até outros tipos de materiais não tão preciosos assim.

            A relação estreita entre Homem e materiais se configurou tão significativa e importante, como ainda se configura, que eras diferentes da humanidade receberam o nome do material mais importante em cada uma delas desde a Idade da Pedra à Era dos Metais, passando pelas eras batizadas com o nome da civilização dominante num dado período (períodos helênicos, romanos, bizantinos e islâmicos).  

            Ao aproveitar a exposição de Sami, quis mencionar a historicidade da obra de arte, que sempre permanecerá, marcará época e contará uma determinada história através de sua materialidade, formalidade, e é claro, cronologia.  E mais uma vez seguir os passos de Sami, trabalhando com a transformação de materiais e conceitos e  aproveitando  do significado marcante do papel, na obra sua obra como algo presente e permanente na história.

            Esta pesquisa pretende situar o conceito da coleção, buscando contextualizar e situar cronologicamente o tema escolhido. Por ser um trabalho, que pretende empregar a Idade dos metais como enfoque, precisa-se entender um pouco a respeito das civilizações que habitaram o mundo na época e percorrer alguns milênios:  7000 A.C – 2000 A.C. , alcançando assim, desde a pré-histórica até o começo da história, que é marcada pela descoberta da escrita.

            Por convenção a História propriamente dita, inicia-se com o advento da escrita que surge, primeiramente, no Oriente Próximo a cerca de 3000 a.C. , a autores que digam 4.000 a.c . Este mesmo passado pré-histórico remete-nos para o princípio do símbolo, ou aquilo a que comumente se designa por imagem simples, cujas manifestações mais significativas podem ser encontradas nas pinturas rupestres.

            Sobre a relação entre a "linguagem simbólica" – expressa através de símbolos abstratos pintados – e a sua intenção, digamos, que foi através destas imagens que o homem entendeu que podia fazer passar uma mensagem, e por conseqüência se comunicar.         Estas pinturas demonstram o valor que os homens da pré-história conferiam às suas criações.

            Conjunto destes desenhos-escrita, passíveis de serem compreendidos por todos os membros de um mesmo grupo, tomam a designação de pictogramas. Pertencem, pois, ao conjunto das escritas pictográficas, que no grego significam descrição da imagem, para servir de símbolo.

            Sendo assim, pode-se perceber que mesmo antes de uma escrita ser convencionada, “inventada”, os homens tinham necessidade de se comunicar, de contar sua história, e tinham acima de tudo uma leve percepção a respeito de transformar seus pensamentos, sentimentos e afeições em linguagem.

            As principais civilizações da Antigüidade oriental são a suméria, assíria, acadiana, egípcia, hebraica, fenícia, hitita e persa. Os cretenses, apesar de estarem localizados no ocidente, apresentam características comuns a outros povos da Antigüidade oriental.

         A mesopotâmia    compreende a região entre os rios Tigre e Eufrates (atualmente parte do Iraque) conhecida como Mesopotâmia – terra entre rios, em grego. É habitada desde 5.000 a.C. por tribos de origem semita. Entre 3.200 e 2.000 a.C. povos de outras origens, como os sumérios, acadianos, assírios, elamitas e caldeus, migram para a região e fundam cidades-Estado independentes. Em 331 a.C. a região é dominada por Alexandre, o Grande, da Macedônia.

            Sobre o Egito é necessário ressaltar que o vale do rio Nilo, com suas terras negras e férteis, é a base dessa civilização. A fertilidade resulta da inundação anual do rio e da deposição do húmus quando as águas baixam. agricultura e o intercâmbio de produtos estimulam a sedentarização e a miscigenação das tribos, que formam, no vale do Nilo, um único povo, diferente dos beduínos que habitam o deserto. Durante o Neolítico, são construídas cidades-Estado sobre o eixo fluvial, como Tebas, Mênfis e Tânis, que se relacionam ativamente. O período histórico da civilização egípcia começou por volta de 4000 a.C. Os primitivos clãs haviam sido transformados em províncias ou nomos, e seus chefes elevados à dignidade real. Mais tarde foram agrupados em dois grandes reinos: um ao norte, cujo primeiro rei-deus foi Horus, e outro ao sul, que teve Set como primeiro rei-deus. Por volta do ano 3300 a.C., segundo a tradição, o reino do sul venceu o do norte. Quando as dinastias humanas sucederam às dinastias divinas, Menés, personagem lendário e apontado como unificador do Egito, se tornou o primeiro faraó. A capital era, segundo alguns autores, Mênfis, e segundo outros, Tinis, nas proximidades de Abidos. Menés é identificado como Narmeza (Narmer), representado, num relevo de Hieracômpolis, com as duas coroas dos reinos unificados.       Além destas, outras civilizações viviam em condições parecidas, em situação de evolução, em busca da consolidação e também uma espécie de organização social, afinal, todo ser humano, por natureza, quando vive em conjunto acaba buscando um meio de viver melhor em comunidade.

            Após mencionar estas civilizações com suas conquistas e necessidades, pretendo ressaltar uma em especial : A Tecelagem. Sobre o surgimento do primeiro tear manual, pode-se  imaginar dois fatores básicos de sobrevivência, que podem ter impelido o homem à sua construção: A necessidade da confecção de redes para se dormir no alto, longe dos ataques de animais rasteiros e a necessidade de cobrir o corpo contra o frio, com algo que não fosse as peles de animais, usadas desde os primordios da pré-história. Falar aonde e quando surgiu o primeiro tear, e qual foi a primeira trama, é difícil afirmar; e quase impossível, afinal, não há vestígios arqueológicos tão precisos assim, mas é tão antigo quanto possamos imaginar.

retiradas da natureza.

            Supõe-se que o primeiro produto criado pelo homem com o fim específico de vestir-se tenha sido um retângulo de tecido, que ele passou a usar ao redor da cintura, preso por tiras ou simplesmente amarrado com um nó, numa forma primitiva de saia. Nas vastas planícies da Mesopotâmia, onde tal traje foi pela primeira vez confeccionado, a matéria-prima predominante era o linho, resultando daí o predomínio do branco como sua cor característica. Nessa região também se estabeleceu pela primeira vez o uso do véu pelas mulheres.(cerca de 4000 AC)

            Porém se sabe que no Egito antigo, viveu - se  o “auge do tear”, as pessoas se preocupavam em cobrir o corpo não só com peles, mas também com fibras e fios naturais, tecidos feitos por teares. As roupas começaram a ser desenvolvidas com fibras de algodão e linho.  As pessoas, começam a se vestir por inteiro com vestes, saiotes e/ ou  vestidos inteiros.

            Buscando  entrelaçar a obra de arte de Sami com a idade dos metais, nada mais apropriado que usar a tecelagem, o cobre  e a história para alcançar um feixe de inteligibilidade perfeito e pensar em concepções diferentes que transformem modos de pensar e de fazer da humanidade.

           

 

 

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