A Mulher e seus corpos na Idade contemporânea
Arquiteta-se uma
cosmovisão a partir do próprio umbigo, o corpo e as práticas que visam
reconhecê-lo se transformam em panacéia para todos os males, novo elixir capaz
de inventar a felicidade. Paralelamente, com a necessária reintegração do
corpo, com a urgente revalorização do prazer se estrutura um verdadeiro culto
ao corpo, em tudo análogo a qualquer religião, dogmática e idólatra como soem
ser as religiões em uma palavra, assistimos hoje ao surgimento de um novo
universo mágico: A corpolatria.
A corpolatria não é meramente um culto, nas próprias palavras do autor , ele
enfatiza :que é um verdadeiro culto, pois ultrapassa os limites de apenas ser
uma veneração.O autor faz uma analogia entre corpolatria e uma verdadeira
religião, que precisa ter: dogmas,milagres, penitências, templos e adeptos para
existir de fato.
E a estes milagres da cirurgia plástica, do botox, de redutores de apetite; a
estas penitências: dor, sacrifício e danos; aos milhares de templos: academias,
clínicas e finalmente aos dogmas de amar a si mesmo sob todas as coisas, de
ninguém ir ao homem senão pelo seu corpo, dentre outros (Codo; Senne. 1985;
p.13), Vários se tornam adeptos, principalmente as mulheres que pretendem
alcançar a juventude eterna e todas as outras características do padrão vigente
através da corpolatria.
Ao encontrar encalço para estes processos, as mulheres que se utilizam destes
meios para cultuar o corpo, se tornam viciadas ou se tratando dessa chamada
religião, fanáticas por suas aparências similares às mulheres magras, secas e
saradas, dentro do padrão de beleza. De acordo com as pesquisas da psicóloga
Rachel Moreno em seu livro Beleza Impossível (2008 p. 49) este arquétipo de
beleza é um padrão fora do comum para mulheres brasileiras que costumam ser
morenas e ter quadris largos, ou seja, é um padrão absolutamente europeu, além
de ser magra e alta a mulher tem que ter cabelos lisos e claros, traços finos,
pele clara e ser jovem.
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